Como formamos e mudamos de opinião

Em determinado momentos de nossas vidas nós mudamos de opinião, para alguns isto não é problema, para outros a mudança de opinião tem estreita relação com sua visão da realidade. Muitos são os casos em que jovens com preferências políticas de esquerda tornam-se conservadores e defensores do capitalismo ao atingirem idade mais avançada, ou pessoas adeptas de práticas “naturais” tornam-se fervorosos consumistas. Os exemplos são muitos, porém resta-nos compreender: como nós mudamos de opinião?

Uma das finalidades da comunicação política é a mudança ou transformação da opinião dos cidadãos. Todos os atores envolvidos no jogo político buscam o desenvolvimento de técnicas para fazer com que determinados indivíduos ou grupos mudem de opinião. Entretanto a mudança de opinião, no sentido individual, depende de alguns mecanismos psicológicos que conferem resistência a opiniões diferentes.

De uma forma mais prática, por exemplo, o sujeito que lê uma matéria ou escuta um discurso político vai relacionar o que ele compreende da mensagem com todas as informações e valores que possui e avaliar a posição da fonte para atribuição de significado ao discurso. Se a posição que a fonte ocupa lhe confere credibilidade para opinar sobre tal assunto, maiores são as chances de a pessoa confiar na mensagem. Se as experiências de vida do sujeito corroboram as opiniões da fonte maiores são as chance de ela aceitar esta opinião. As experiências de vida dos indivíduos, são fenômenos que detém grande influencia na forma de aderir ou refutar ideias. Abandonar uma opinião que está ancorada em experiências pessoais é refutar a sua própria percepção da realidade.

Temos alguns casos mais radicais, por exemplo, quando a opinião de um indivíduo for um fator que lhe confere filiação em algum grupo ou é contraria a um grupo de referência, mudar de opinião tem um preço muito alto para este indivíduo, pois teria de abandonar o que estes grupos significam nas suas vidas, como é o caso da identidade cultural, sentimento de patriotismo, identidade de classse, etc. Este também é o caso de quando um indivíduo expõe a sua opinião publicamente, quando há um comprometimento público a respeito de uma opinião, o preço a se pagar por uma mudança de opinião é mais alto do que se tivesse apenas se comprometido particularmente.

Pelo pouco exposto não podemos julgar existir uma racionalidade no modo como as pessoas selecionam informações e formulam opiniões, a formação da opinião é muito mais emocional do que racional. Para tal racionalidade existir deveríamos ter indivíduos que analisam as informações que recebem, tanto as que lhe são afeitas como as que são contrárias ao seu modo de pensar, e, a partir de uma análise crítica da realidade, criteriosa e idônea, tirariam as suas conclusões. Toda via o que vemos na maior parte das vezes são as opiniões que se constituem com base em uma grande carga emocional, como as relações sociais e a herança cultural da família, e mais tarde a filiação a grupos, tendo grande influência. As tensões existentes nestes relacionamentos agem como um elemento na composição da opinião de um indivíduo, principalmente sobre assuntos os quais ele não está familiarizado.

Mais informações: LANE, Robert E.; SEARS, David O. A Opinião Pública. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1966.

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